Visto de residência permanente 

Se você pretende se candidatar ao visto de residência permanente do Japão, aqui vão algumas dicas, todas puramente baseadas na experiência que tive ao fazê-lo.

Para o processo de apenas uma pessoa, já são muitos os documentos requeridos. Quando é para a família toda, então!

Todos os processos (embora possam serem submetidos juntos, como se fosse um) precisam ter ao menos a cópia de todos os documentos e formulários exigidos no trâmite. Os originais podem ser concentrados em apenas um deles, mas os demais precisam ter todas as cópias.

Qual a (grande) vantagem de se ter um visto de residência permanente, quando já se tem o de longa permanência? Bom, no meu caso, simplesmente porque com um visto permanente:

  • Não há a necessidade de renovar o visto a cada 3 anos;
  • Como residente permanente, há mais facilidade para se ter acesso a créditos;
  • Em viagens ao exterior, pode se permanecer por mais tempo sem retornar ao país, sem o perigo de perder o visto;
  • Para fins legais e burocráticos, você sinaliza ao país que tem um vínculo maior com a comunidade na qual está inserido;
  • Entre outros.

Candidatar a família toda para o novo estatus de residência, sem o auxílio de uma agencia/despachante “especializada”, exigiu uma dose extra de organização. São vários os documentos exigidos e a comunicação é feita no idioma local, ou seja, em Japonês. Mas é perfeitamente possível usando Ingles e, eventualmente, Português em escritórios regionais de imigração que contém com tradutores! Claro, se você não fala bem o japonês, também pode levar um tradutor de fora! 

Cada candidato ao visto, com raras exceções, precisa estar presente no escritório de imigração, caso contrário, os inspetores não aceitam o processo, mesmo com todos os documentos disponíveis.

Se você é daqueles, que como eu, já morou em algumas cidades diferentes pelo país em menos de dois ou três anos, precisará solicitar alguns documentos para as prefeituras da cidade onde morou. 

Este pedido pode ser feito pessoalmente, o que normalmente não é viável (pela distância), ou por correio. Geralmente as prefeituras disponibilizam formulários para este fim.

Nas regiões de Tóquio, a previsão para a conclusão do processo é de 6 meses a 1 ano, pela alta demanda da região.

No meu caso, o tempo de espera foi de exatos 6 meses.

Depois que se da a entrada no processo, começa uma investigação minuciosa sobre a sua vida no país. 

O órgão vai buscar toda a informação sobre a sua estada por aqui nos últimos dois anos, incluindo mas não limitado ao: pagamentos de impostos; tempo desempregado; valores recebidos; atividades criminais; dívidas contraídas; infrações de trânsito; etc.

Se tudo estiver de acordo com o que se espera – um cidadão de bem que possa contribuir com a sociedade em um determinado nível, então, você receberá a nova permissão de permanência.

Alguns detalhes são importantes:

1. Seu visto atual deve estar válido até o dia em que você receber o novo estatus.

 Se ele estiver para expirar, mesmo que isso aconteça depois que você tenha dado entrada, certifique-se de renová-lo normalmente. Assim, se algo der errado, você não estará ilegal.

Se o visto atual vencer e você ainda não tiver recebido o novo, você estará ilegal e poderá deixar de receber o permanente, além de correr o risco de uma deportação!

2. Mantenha o processo atualizado.

Se por um acaso você se mudar durante a tramitação do processo, certifique-se de informar seu novo endereço para a imigração o mais rápido possível. Se isso não for feito, você poderá ser penalizado e não receber o novo visto.

3. Seja um bom menino/ menina.

Evite “sair dos trilhos”. Isso pode fazer com que seu novo visto seja cancelado, mesmo que aconteça enquanto o processo já esteja em análise.

Se você der entrada no processo pessoalmente, ou seja, sem ajuda de agências/ despachantes, o custo para a emissão de cada visto, até a data em que escrevi este post, é de:

  • ¥8,000 para visto permanente/ pessoa.
  • ¥4,000 para visto de longa permanência/ pessoa.

O valor apenas será cobrado se o visto for expedido. Caso negado, o processo não terá custo.

Já, se você optar por fazer o processo via agencia/ despachante autorizados, o preço será bem mais salgadinho! :O

Se este post te ajudou ou se você tiver outras dúvidas, deixe seu comentário. Ficarei feliz em responder.

Um abraço.

Um dia depois do Natal no Japão.

O dia que segue o Natal no Japão é um tanto quanto estranho. 

Todos sabemos que o Natal não tem grande significado para a maioria dos japoneses e, embora nos últimos anos tenha-se visto um aumento nos ornamentos natalinos pelas cidades, especialmente em grandes shoppings, por aqui a data não é nada mais que um “segundo dia dos namorados” (pelas palavras de um japonês). 

Com a absoluta maioria da população sendo de orientação religiosa xintoísta e budista, o Natal é apenas mais uma data comercial, emprestado do ocidente, onde troca-se presentes e compartilha-se os famosos “bolos de natal”.

Mesmo depois de 5 anos morando no arquipélago, é um pouco confuso ver que já no dia 26 de dezembro não se tem qualquer sinal das árvores de Natal e enfeites que até o dia anterior enchiam de pompa e iluminavam certas partes da cidade!

Seis coisas que você precisa saber antes de querer emigrar para o Japão 

Com a crescente crise política e financeira no Brasil, tenho recebido muitas mensagens, cada vez mais frequentes, de pessoas interessadas em emigrar para o Japão. 

Normalmente as perguntas são as mesmas e geralmente a vontade é, simplesmente, baseada no desespero de achar uma forma de se livrar dos problemas no Brasil. Não é uma crítica, sei bem como é!

Então, pra ajudar os que têm os mesmos interesses, listo abaixo alguns pontos para reflexão e, quem sabe, responder algumas perguntas.

1. Você pode morar no Japão sem ser descendente

Sim. Claro que pode. Tem muitos estrangeiros sem qualquer descendência morando por aqui.

No geral, a única diferença entre descendentes (até a terceira geração) e os demais, é o processo de obtenção e o tipo  do visto. Assim como em outros países, você precisa ser elegível para receber um visto de trabalho, residência ou estudo.

Neste caso, pergunta certa seria “o que preciso fazer pra morar no Japão sem ser descendente”? 

2. É muito diferente morar no Japão 

Sim, o país é lindo, organizado, no geral ocupado por pessoas bem educadas e muito seguro.

Mas, nem tudo são flores! 

Existem problemas políticos, a população é extremamente workaholic, achar emprego qualificado não é tão fácil, é difícil fazer amizades e existe uma cultura muito forte, muito diferente da brasileira.

Além disso, você convive com a constante necessidade de estar preparado para uma catástrofe, tipo terremotos de grande intensidade ou maremotos. Sim, isso é uma realidade por aqui.

Se você não estiver realmente disposto a enfrentar estes “problemas”, fique no Brasil.

3. A carga horária de trabalho é igual a do Brasil

Ao contrário do que muitos pregam, sim, de forma geral, o tempo de trabalho diário é de 8 horas, ou menos (no meu caso, são 7.5 horas/ dia). 

Porém, como mencionei no item anterior, a população tende a ser extremamente workaholic, e devido a alguns pontos culturais, os japoneses tendem a ficar mais tempo no trabalho.

Acima de 8 horas, porém, é hora extra.

Por lei, contudo, ninguém é obrigado a fazer, mas, existem empresas que te oferecem o trabalho com a condição de X horas extras por dia, semana ou mês, devido às alta demandas do mercado.

No meu contrato, por exemplo, existe uma cláusula (muito comum entre empresas de tecnologia) para o pagamento de horas extras. Somente paga-se quando o funcionário ultrapassar 40 horas mensais. Até este limite, esta incluso no salário, faça ou não.

4. Comida é cara

Ah, sim. Comida por aqui é muito cara. Seja pelo preço em si, seja pela quantidade da porção.

Especialmente as frutas, verduras, legumes e carnes. Normalmente o industrializado tem preço muito mais acessível.

Limão, por exemplo, aqui se compra por unidade, enquanto no Brasil é por quilo! Uma unidade custa por volta de ¥120. Outro exemplo são as melancias! São pequenas,se comparadas as do Brasil, e  muito caras. Uma inteira pode custar mais de ¥2.800!

Já comer fora, em restaurantes populares, é relativamente barato. Digo relativamente, pois eventualmente pelo mesmo valor você não conseguirá cozinhar em casa!

5. O salário não é tão alto quanto se pensa

Recentemente li o post de um amigo, onde havia uma explicação bem didática sobre o assunto.

Basicamente, se você pegar o salário (mínimo) do Japão e converter para o Real, especialmente com o dólar como está atualmente, achará o salário daqui um sonho!

Na pratica, não é assim que funciona!

As economias dos dois países são completamente diferentes, assim como o custo de vida. Então, o que parece um sonho aí, aqui é o mínimo para sobrevivência…

Entao, dependendo de onde você mora no Japão, um salário de ¥180.000 (ou cerca de R$5.800, com o dólar à R$3,50) mal dará pra pagar o aluguel, que facilmente pode passar de ¥80.000 para um apartamento de apenas um quarto, banheiro e cozinha (também conhecido por 1k, ou a famosa quitinete)!

6. Carros e eletroeletrônicos são baratos

Sim e não! Tudo vai depender da sua prioridade para o dinheiro que recebe.

É verdade que com o salário de um ou dois meses é possível comprar um carro (usado e antigo em excelentes condições) ou uma TV LED de 40″ ou mais.

Mas, se você quiser um carro do ano, eletrônicos top de linha e comer em restaurantes mais refinados com frequência, então, precisará de um pouco mais de tempo juntando dinheiro, ou um emprego que pague mais!

Comprar imóveis no Japão é uma faca de dois gumes. Ao contrário do Brasil, os imóveis aqui depreciam e são muito caros, dependendo da região. 

Além disso, de tempos em tempos você é praticamente obrigado a realizar uma reforma estrutural, se for uma casa, pois precisará adequar a construção aos padrões de segurança da época contra as catástrofes naturais.

Vale a pena comprar, vale sim, penso eu. Mas, reflita bem sobre o assunto antes de escolher a região e definir o preço que pagará pelo imóvel! 

Até a próxima! 🙂

Comidas e bebidas japonesas para diabéticos

Nesta semana, conversando com um colega de trabalho chileno que se mudou há pouco tempo para o Japão e que está providenciando os detalhes burocráticos pra trazer sua esposa do Chile, escutei o comentário sobre estar preocupado com a falta de opções de alimentos para diabéticos nos mercados tradicionais.

A esposa dele é diabética e dependente de  insulina, por isso resolvi pesquisar na internet e encontrei um post mega interessante em um blog. Veja abaixo a tradução do conteúdo original, em Inglês.

Nota: tomei a liberdade de traduzir apenas as partes mais relevantes do texto, mas se você estiver curioso pra ver o texto na íntegra, siga o link que está no final deste artigo.

Japoneses têm diabetes? Mas eles não são tão magrinhos?

Mesmo que a taxa de obesidade no Japão seja muito baixa, há muitos japoneses sofrendo de diabetes, de ambos os tipos 1 e 2.

Estima-se que aproximadamente 4.000 pessoas morrem anualmente no Japão por doenças relacionadas com a diabetes. Assim, a obesidade pode não ser a única causa da diabetes. De qualquer forma, o tipo 2 é conhecido como um dos grandes males entre adultos no Japão, assim como em várias outras nações do mundo.

Algumas palavras chave para se conhecer:

糖尿病 - to-nyo-byo : diabetes
インシュリン - pronuncia-se  in-shu-rin; também escrito como インスリン - é pronunciado in-su-rin : insulin
血糖値 - ketto-chi : nível de glicose do sangue.

No Japão, a unidade usada para medir o nível de glicose do sangue é mg/dL, assim como nos Estados Unidos. Na Europa e em outros países, usa-se mmol/L.

Como identificar o açúcar?

O kanji que você deve procurar é  糖, que significa qualquer tipo de açúcar, ou substância relacionada com açúcar.

Açúcar puro é 砂糖 (sa-to).

Já a palavra para “sem açúcar” ou “livre de açúcar” (em inglês, sugar-free) é 無糖 (mu-to).

Outras coisas açucaradas:

蜂蜜 ou はちみつ ou  ハチミツ – mel
シロップ - charope
水飴 ou みずあめ - charope de açúcar
飴 ou あめ - bala

Arroz e outros amidos:

Arroz …

Como você provavelmente sabe, a maior parte da culinária japonesa é composta por arroz.

Infelizmente, ambos os grãos branco e marrom ou o o grão médio tem alto índice de GI (índice glicêmico) e GL (carga glicêmica). Então, o jeito é balançar e reduzir a quantidade de arroz consumida na semana, por exemplo 2 ou 3 vezes na semana.

Um problema que ocorre quando se elimina ou reduz drasticamente o arroz de um prato japonês é que você perde o equilíbrio do sabor. Então, você passa a sentir a comida repentinamente muito salgada, ou, muito “qualquer outra coisa”.

A solução óbvia para isso é, simplesmente, cortar o sal, molho de soja e qualquer outro condimento que lhe pareça demasiado.

Outra forma é substituir com um outro alimento que possa quebrar o tempero demasiado da comida, por exemplo: salada sem tempero ou vegetais cozidos e sem sal.

Se você prefere algo mais substancial, tente o abacate ou tofu.

Arroz de sushi

Como o arroz de sushi é, normalmente, feito com uma mistura do arroz branco, vinagre, sal e açúcar, definitivamente não é algo que um diabético deva comer.

Já o sashimi pode ser uma boa opção.

Pão

Pães japoneses normalmente são brancos. Aqueles lindos pães “bolinha” ou “rolo” são comumente adocicados também. Então, é preciso regular o consumo.

Noodles

Macarrão de iron são feitos de farinha de trigo, então, possuem altos índices de GI/GL. O mesmo acontece com o macarrão usado em lamen e yakisoba.

O índice de CI/GL é tão alto quanto o do macarrão tradicional.

O harusame (ou macarrão transparente) é feito com batata ou outra forma de amido,  portanto, não são de “baixo” índice de GI.

O único macarrão com baixo GI/GL que você pode conseguir no Japão é o shirataki.

E sobre o mirin, saque e açúcar usados na culinária japonesa?

Muitos dos pratos tradicionais japoneses levam uma combinação de açúcar, saque e ou mirin. Açúcar também é usado em outras coisas como milhos e marinados.

Açúcar é obviamente açúcar. O saque regular e mirim também possuem uma taxa de açúcar produzida durante o processo de fermentação.

Porém, normalmente estes produtos são usados em quantidades tão pequenas que, a menos que seus níveis de açúcar no sangue sejam extremamente altos, ou que seu médico o tenha orientado para não consumi-los, talvez não haja problema.

Miso

O miso também possui uma pequena taxa de açúcar produzida durante sua fermentação, então não exagere.

Molho de soja ou “shoyu”

O molho de soja tradicional não tem açúcar, mas alguns tipos não tradicionais podem levar açúcar em sua composição. Procure ler os rótulos.

Alimento processados

Como em qualquer país, muitos alimentos processados no Japão possuem açúcar, então procure ler os rótulos o máximo possível, procurando pelo kanji de açúcar ensinado no início desse texto, sempre que tiver dúvidas.

 

Bebidas

Não há muitas refrigerantes para diabéticos no Japão. De qualquer forma, a maioria dos chás verdes e chineses (normalmente oolong), que são vendidos quentes ou gelados, não são adocicados e são deliciosos. O chá preto/mate, são normalmente adocicados, mesmo que muito pouco, assim como muitos dos cafés enlatados.

Nota: Eu não sou um médico, mas apenas uma pessoa interessada no assunto. Qualquer opinião expressada acima reflete apenas a minha própria, baseada na experiência e pesquisas em circunstâncias pessoais. Sempre consulte um médico especialista.

Submitted by maki on 2010-09-01 15:10.

Texto original (em inglês):
http://justhungry.com/japanese-food-and-beverages-diabetics-and-low-carb-eaters

O novo perfil dos dekasseguis.

No Japão pela segunda vez, junto com meu marido, é impossível não notar que a mentalidade dos brasileiros que imigram para o Japão com o intuito de trabalhar, mudou de uns tempos pra cá.

Desde que o movimento dekassegui teve início, a partir do fim do anos 80, muitos brasileiros descendentes de japoneses decidiram imigrar para o Japão em busca de melhores salários e com o intuito de dar melhores condições de vida para seus familiares.

Assim, sujeitavam-se à vários tipos de trabalhos (considerados, pesados, sujos ou perigosos pelos japoneses), em geral, em fábricas que vendem serviços para as indústrias automobilística e de eletrônicos, mas em troca de um ótimo salário.

Muitos desses brasileiros têm alta escolaridade, possuem diploma, mas por não terem o conhecimento do idioma japonês, acabam trabalhando nas fábricas.

Mesmo após tantas crises econômicas, o número de brasileiros que vem ao Japão para trabalhar, só aumentou no decorrer dos anos, porém, o “novo dekassegui”, seja com estudo, formação superior ou não, tem procurado se aperfeiçoar no idioma, e profissionalmente, buscando cursos técnicos, e até mesmo faculdade à distância.

Desta forma, tornam-se aptos para concorrer a vagas no mercado de trabalho japonês, não somente as vagas em fábricas, mas sim àquelas que exigem um conhecimento especifico.

E assim, abre-se um leque de opções considerável para os que buscam uma rotina um pouco mais tranqüila daquela conhecida nas fabricas, pois o dekassegui passa a ter mais tempo para estudar e se aperfeiçoar cada vez mais.

Fico feliz sempre que conheço uma história deste tipo. De brasileiros que vieram para cá, e com muita força de vontade conseguiram sair das fabricas e estão levando uma vida “normal”, conseguindo estudar e se sustentar. E fico mais feliz ainda que isto tem se tornado muito comum! 🙂 Sinal que, aos poucos, mas o Japão e consequentemente o povo japonês, está cada vez se adaptando e se abrindo aos estrangeiros de um modo geral.

Claro, sem tirar o mérito daqueles que trabalham nas fabricas, pois não é uma rotina fácil. Trabalha-se muito!

Ganbatte!!! 😉

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dekasseguis_brasileiros