Brasileiros afetados pela crise de 2008 …

Depois de muitas tentativas fracassadas de reinserção profissional no Japão, mais de 70 mil brasileiros decidiram reconstruir a vida no Brasil, após vários anos de ausência.

Esta é a dura realidade abordada pelo documentário produzido por Adriana Nakamura e que será lançado no início de setembro de 2012, no Bunkyo de São Paulo, durante um seminário chamado “Crise Econômica e Retorno”.

O documentário é o resultado do trabalho de conclusão de curso de jornalismo, que segundo a autora, o trabalho é uma homenagem feita aos seus pais, Pedro e Maria, que trabalharam duro como dekasseguis e que, apesar das dificuldades que passaram, nunca permitiram que ela deixasse de estudar.

O documentário é um excelente material que aborda o assunto da crise de 2008 e ainda conta um pouco da vida dos brasileiros no Japão, sob o ponto de vista de diversos intrevistados. Dividido em 4 partes, o trabalho está disponível no Youtube, mas também pode ser visto abaixo:




Quem quiser, e puder, ajude a divulgar esta obra.

Até a próxima! 😉

 

Fonte: http://www.alternativa.co.jp

A dura vida daqueles que trabalham em 2 turnos!

Muitos dos brazukas que por aqui residem e, que trabalham nas inúmeras fabricas que atendem a industria de autopeças, estão trabalhando num calendário diferente do tradicional! Neste calendário especial, o “final de semana” é nas quintas e sextas-feira!

Além disso, em algumas fabricas, o funcionário esta sendo convocado para trabalhar em turnos alternados semanalmente, ou seja, uma semana trabalhando de dia e na próxima trabalhando de madrugada! Esta é uma estratégia adotada por algumas das fabricas para atender a todas as crescentes demandas de fábricas maiores ou das próprias montadoras dos veículos.

O grande problema para quem está trabalhando neste ritmo, não é o fato da mudança do final de semana. Isto até que tem o seu lado positivo. A encrenca é na jornada de dois ou mais turnos diferentes, com intervalos curtos! Isto faz com que a pessoa tenha que semanalmente se habituar com um “fuso horário” diferente, uma vez que precisa se reorganizar para (normalmente) virar 12 horas no seus horários de trabalho!

Por aqui, ainda existe uma prática conhecida por “mae” (まえ), que é o convite para que o funcionário entre 1 dia antes do seu período normal no trabalho, ou seja, se normalmente a semana começa na segunda, no “mae” ela começará no domingo! Esta é uma prática comum para períodos em que as demandas são muito altas.

Neste caso, aqueles que trabalham em 2 turnos e, ainda são convidados a entrar 1 dia antes, terminam praticamente sem final de semana, pois na virada dos turnos e atendendo ao chamado da empresa, não tem um dia inteiro para descanso!

Exemplificando …

Normalmente o funcionário trabalha de segunda a sábado. Na virada de turno do dia (hirukin) para a noite (yakin), ele para de trabalhar no sábado às 17h e volta apenas na segunda às 19h, quando inicia sua jornada no período noturno. Entrando no “maeyakin”, ou seja, 1 dia antes, ele deixa o trabalho às 17h de sábado e retorna às 19h no domingo!

Ah sim! Funcionário algum é obrigado a fazer horas extras ou atender ao “mae”. Mas, é claro também, que este comprometimento com a empresa sempre será “bem visto” pelos chefes e empregadores no momento das periódicas avaliações para manutenção contratual e/ou negociações para novas horas extras. Da mesma forma que no Brasil! 🙂

Até a próxima!

Primeiro trabalho

Como o custo de vida aqui no Japão é muito alto, vou comentar isso num próximo artigo, o dinheiro que trouxemos não ia durar por muito tempo. Assim já nos primeiros dias começamos a procurar um trabalho.

O trabalho mais fácil de encontrar, por aqui, é em fábrica. Fizemos ficha em uma fábrica bem próxima de onde estamos morando e logo fomos chamados para a entrevista, que como eles estão acostumados com estrangeiros, principalmente brasileiros, tem até tradutor! 🙂 Foi tudo tranquilo e sem segredos.

No início do ano começamos a trabalhar, num departamento de inspeção de qualidade das peças, chamado de Kensa. A nossa atividade é verificar visualmente ou Senbetu um tipo de peça e acompanhar o funcionamento de uma máquina. Este é um tipo de trabalho que não exige grandes habilidades, mas deixa o corpo bem exausto! 😥