Ser mãe é ser … mãe!

Se não é a primeira palavra que uma criança aprende a falar, “mamãe” está definitivamente entre as primeiras e, sem dúvida nenhuma, é a mais usada pelos pequenos.

Sempre que alguma coisa não vai bem nas inúmeras novas experiências de vida de uma criança, a mamãe é o refúgio e o ponto de partida. Sempre que as coisas dão certo, a mamãe é ( geralmente) a primeira a compartilhar da imensa felicidade de seus protegidos!

Não importa o quão ligada seja uma criança com o papai, a mamãe está em um nível de conexão mais intenso, e não é sem motivo! A gestação, os primeiros contatos e as primeiras mamadas, tudo contribui para uma conexão profunda e indiscutivelmente mágica com a matriarca.

Desde que as meninas nasceram, tento ao máximo manter um relacionamento muito próximo com elas. Em casa, tentamos criar um ambiente de comunicação aberta e intensa e tudo tem funcionado bem. Mas a ligação que elas mantém com a mãe me impressiona todos os dias.

Criar os filhos até que não é tão difícil, o que realmente é desafiador é educá-los, prepará-los para enfrentarem o “mundo lá fora”, para serem pessoas de valores, justas e dignas de reconhecimento, amor e sucesso, independentemente do que isso possa significar para elas (afinal “sucesso” significa diferentes coisas para diferentes pessoas, ou mesmo para as mesmas pessoas em diferentes momentos da vida)!

E lá está a mamãe de novo … trabalhando cada segundo desse processo de ensino (e aprendizagem) que é a educação de uma criança!

Sim, eu sei, o papai também tem um papel (muito) importante nesse processo todo e é responsável por muita coisa na formação desses pequeninos seres (temporariamente semi?) autônomos, e claro, me esforço ao máximo para atender tudo do que me compete, mas é da mamãe que estamos falando aqui ;).

Aliás, especialmente quando me tornei pai foi quando passei a enxergar as mamães de outra forma, mais intensa e “humanizada”! Filhos nunca enxergam seus pais como “humanos”, mas como “super seres” que tem, entre outros, o poder de prever algumas situações enquanto “pegam no pé” por coisas hora insignificantes, hora desnecessárias!

Minha mãe já dizia: “ser mãe é sofrer no paraíso”!

Sempre achei graça nessa frase, até ver minha esposa se tornar mãe e, de fato, sofrer no paraíso! O “sofrimento” vem de muitas maneiras e com intensidades diferentes para cada uma das mamães, mas é certo.

Seja pela difícil hora da mamada, em que a criança sofre pra aprender a mamar ( sim sim, a criança precisa aprender a colocar a boquinha no peito da mãe e sugar de maneira apropriada para se alimentar direito) ou pelo momento das primeiras cólicas; das noites em claro por causa de dentinhos ou até a ansiedade de uma atividade nova na escola!

São tantas coisas diferentes, sem nenhum manual de usuário, tecla SAP ou pause!

Enfim, ser mãe é muito mais do que podemos expressar em palavras, ou pelo menos em poucas palavras! Ser mãe é… ser mãe! Simples assim, complexo assim.

Este post é o registro do meu mais profundo sentimento de admiração por todas as mamães do mundo, em especial a todas as que têm ou tiveram conexão direta com a minha pessoa …

Vocês são demais! ❤️

Até a próxima.

As 10 coisas que aprendi com a paternidade.

Olá!

A paternidade é uma experiência incrível. Eu sabia que um dia teria filhos, mas nunca havia pensado ou planejado quando isso aconteceria.

Hoje tenho duas filhas, duas pequenas criaturas que tem me ensinado muito, mesmo com tão pouca idade.

Ser pai não é fácil, ser mãe muito menos!

Certa vez alguém me disse que criar os filhos é “moleza”, a parte difícil é educá-los e prepará-los para o Mundo. Seja lá quem for que tenha me dito isso, tinha toda a razão.

Talvez o fato de sermos imigrantes em um país com uma cultura muito diferente da nossa, como brasileiros, potencialize tais experiências.

Aqui vão 10 das diversas coisas que aprendi com a paternidade:

1. Seja presente, não “esteja presente”

A diferença pode ser sútil na frase, mas é muito significativa na vida, especialmente na da criança.

Ser presente não significa estar no mesmo ambiente. Estar lá, mas não interagir, conversar ou não participar das brincadeiras que eles propõem é a mesma coisa que não estar. As crianças querem atenção, algumas vezes exclusiva.

Sempre que você da preferência para qualquer outra coisa, quando seus filhos pedem sua atenção (celulares, jogos, etc), você os estará ensinando a fazer o mesmo quando você precisar da atenção deles, e quando adultos, provavelmente eles também não saberão dar prioridade para o que, de fato é importante.

2. Ensine com exemplos

Com o amplo acesso à informação, hoje seus filhos tem muitos exemplos inadequados mundo a fora.

Se você tentar ensiná-los com o velho “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, eles vão apenas aprender a mostrar pra você o que você quer ver.

3. Tenha paciência

A criança passa por diversas fases, cada uma com suas peculiaridades e, claro, varia muito de criança para criança.

Mas uma coisa é fato (pelo menos notei isso nas minhas filhas, mesma muito diferentes em personalidade) o estresse gerado pela falta de paciência, potencializa as crises de desobediência e birras, criando um ciclo vicioso!

Seja paciente, seja presente (lembra do item 1, se não lembrar, volte e releia) e doe muito amor. Você notará a diferença instantaneamente.

4. Seus filhos realmente não se importam com o quanto você ganha. Eles querem é você por perto!

O que o seu filho/a, enquanto pequeno, realmente quer é tê-lo por perto, pra curtir contigo, eles não fazem ideia se você é rico ou pobre e quanto você ganha por mês.

O que realmente importa pra ele/a é a quantidade de tempo e a qualidade da atenção que você dispensa à ele/a. No final do dia, tudo o que importa e que irá fazê-los felizes é o amor que eles recebem.

5. Medo

Toda criança reage de maneira diferente frente às novas experiências. A minha mais velha é mais sensível e desconfiada ao enfrentar situações inusitadas. Já a mais nova é mais desbravadora e curte o “friozinho na barriga”.

Mas de uma maneira ou de outra, ambas se sentem super confortáveis e protegidas (especialmente) no colo da mãe.

Para elas, mesmo as coisas que parecem simples para você, podem ser um desafio incrível e uma enorme fonte de desconforto e medo.

Seja cauteloso e paciente (item 3). 😉

6. Escola (e adaptação)

Essa é uma experiência bem relevante para quem, como nós, mora fora do Brasil.

Chegou a hora de entrar na escola! Por onde começar: escolas brasileiras, internacionais ou japonesas?

Nós optamos por colocá-las em escolas japonesas e foram varias as razões que nos fizeram tomar essa decisão. Claro, isso é uma decisão muito particular de cada família.

A escola em si pode representar um desafio gigante para a criança, especialmente neste caso em que ela “enfrentará” um segundo idioma de forma intensa e sem a sua presença.

Mas não se engane, crianças aprendem rápido e se adaptam muito facilmente. Basta que elas se sintam confortáveis e protegidas, sintam que existe um “porto seguro” onde ancorar quando as marés estiverem turbulentas, que elas se sairão muito bem.

7. Alfabetização em múltiplos idiomas

Um dos dilemas de uma família de imigrantes, quando os filhos entram em idade escolar, é onde e como eles serão alfabetizados.

Se colocá-los em escolas internacionais, falando o idioma materno e aprendendo sobre o país em que não vivem, as crianças enfrentarão dificuldades com a inclusão na cultura local.

Se colocá-los em escolas locais, serão alfabetizados no idioma local, no nosso caso em Japonês, com forte influência da cultura e, com o passar do tempo, eles terão o desafio de manter também as tradições e costumes da pátria materna.

Não importa qual o caminho você siga, sempre haverá um desafio a ser superado na educação dos seus filhos, e em qualquer caso, tudo será novo e muito intenso na vida das crianças.

Se alfabetizados no idioma materno, diferente do que se fala na rua, elas sofrerão o impacto da adaptação. Se alfabetizados no idioma local, diferente do falado em casa, eles terão o desafio de também aprender o idioma materno para se comunicar em casa.

Neste exato momento, não sei se estou preparado para enfrentar os desafios das escolhas que fizemos. Mas seja como for, a chave é a presença (lembra do item 1?); a paciência (lembra do item 3?) e a comunicação aberta com seus pequenos.

8. Comunique-se

Sendo uma família de expatriados, imigrantes ou vivendo em seu próprio país, é preciso ensinar seus filhos, com exemplos (lembra do item 2?) e com orientações diretas que a comunicação é a chave para a boa convivência familiar e social.

Não importa o idioma que você escolha para isso, mas é importante que a comunicação entre você e seus filhos seja clara e aberta.

Já notamos como as nossas pequenas reagem muito melhor (são mais obedientes e prestam mais atenção no que falamos) quando dedicamos um tempo para explicar as coisas para elas.

A maior já está na fase de perguntar sobre tudo e é de uma inteligência ímpar para a sua idade, mas, embora pareça que ela entende (e até argumenta certas coisas), nem sempre ela realmente entende o que queremos dizer!

Então, com paciência (volte no item 3, se preciso), com tempo (lembra do primeiro item da lista?) você pode explicar o que quer que seja e ter a certeza de que seu filho entenderá o que precisa ser feito ou entendido.

9. Deixe-os abrir as asas …

Já dizia a minha mãe (e antes dela, a minha avó) “filhos devem ser criados para o mundo”.

Hoje em dia aquela frase faz ainda mais sentido pra mim, afinal eu mesmo “fugi para o mundo”, na condição de filho, quando vim morar no Japão!

Contudo, aquela frase não tem apenas o sentido literal! Entendo que “ser criado para o mundo” também significa que nós (pais) temos a obrigação de ensinar nossos filhos a serem pessoas boas em todos os sentidos. Prepará-los para serem independentes na vida.

Para isso, inevitavelmente eles vão precisar errar. E quando isso acontecer (e vai acontecer) é a hora de agir para ensiná-los.

Mantenha a calma e seja paciente (lembra do item 3?), dedique um tempo para explicar para o seu filho/a (aqui, falamos do item 1) o que aconteceu de errado e como ele/a poderá superar o problema!

Isso tem funcionado muito bem com as minhas pequenas e tenho certeza de que funcionará contigo também.

10. Seja feliz! Aproveite o agora.

O agora, ah o agora!

Depois que nos tornamos adultos, a vida parece se tornar tão complicada e cheia de obrigações, certo? Eu sei, acho que todos sentimos a mesma coisa, e o que é mais comum é ver as pessoas colocando a felicidade no que vai acontecer no futuro!

Quando se é criança tudo é tão mais simples!

Seja pela ingenuidade ou pela pouca maturidade das crianças, o fato é que elas sabem ser felizes aproveitando o “agora” sempre que possível!

Brincadeiras simples são divertidíssimas, mesmo quando com “brinquedos” extremamente rudimentares!

Outro dia, em um final de semana, chegamos em casa depois de um dia atarefado com coisas sem graça! As meninas pareciam um pouco entediadas, mesmo depois de várias horas na rua, então decidimos fazer uma brincadeira simples em casa!

Em folhas de papel, desenhei alguns peixes e pedimos que elas pintassem com tintas a base d’água. Depois de secos (apenas alguns minutos mais tarde) recortamos e colocamos clipes metálicos em cada um dos peixinhos!

Sabe aqueles imãs de geladeira? Com fita adesiva, barbante e um par de “hashis” (os tradicionais palitos japoneses para comer) montamos pequenas varas de pesca! Estendemos uma coberta no chão e voilá … tínhamos um lago cheio de peixinhos!

Não preciso dizer que elas ficaram mega felizes de passar um tempão brincando de pescaria junto conosco, né! 🙂

Elas não estavam felizes por brincarem de pescaria com peixinhos de papel em um lago de cobertor! O que realmente fez elas ficarem radiantes, foi passar um tempão brincando intensamente com a mãe e o pai.

Simples assim. 🙄😉

Até o próximo texto.

Gigante vs Startup, por que deixei a gigante do e-commerce para entrar na startup de robótica!

Este é um tema muito interessante. Por que muitos deixam as gigantes de TI para apostar em pequenas startups?

Bom, vamos ao meu caso.

Há pouco mais de 2 anos, fui contratado como engenheiro de frontend pela Rakuten, atualmente uma gigante de tecnologia, nascida no Japão e com mais de 70 diferentes serviços espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil.

O escritório matriz da empresa fica em Tóquio e é ao melhor estilo de alto padrão do que vemos sobre empresas de tecnologia do Vale do Silício. O prédio conta com tecnologia de ponta, cafeterias, refeitórios com refeições gratuitas, academia, lavanderia e até restaurante de luxo!

Cerca de 12 salas de reuniões com paredes de vidro, mobília customizadas e dois displays de 50″ cada, em cada um dos 20 e tantos andares do prédio, além de centenas de mesas conectadas em ilhas/corredores circundadas por sofás, mesas elevadas, mais televisores de 50″, plantas, paredes de quadro branco e muitas pessoas, era o cenário no qual eu trabalhava! 

Eu estava alocado em uma equipe especializada em UI/ Frontend, no Centro de Excelência e Experiência do Usuário e estava trabalhando com projetos de serviços secundários ou internos, mas nada realmente desafiador ou que fosse ter um resultado fenomenal, como produto!

Eu não estava, de fato, procurando emprego, mas fui apresentado a uma oportunidade de entrar em um projeto muito mais animador, muito mais promissor no mundo da robótica autônoma. 🙂 

Este era um dos projetos da Rapyuta Robotics, startup nascida como spinoff de projetos de doutorado dos seus fundadores, na universidade de Zurich, onde trabalho atualmente como engenheiro sênior de UI/UX. 

A empresa também tem sua sede em Tóquio e conta com apenas 50 pessoas, divididas em 3 escritórios (Tóquio, Zurich e Bangalore) mas, apesar de ter um ambiente bem bacana, moderno, organizado e cheio de drones ao redor, frutas e sucos de graça, tem uma estrutura muito mais simples que a da Rakuten.

“Então, por que diabos você trocou uma pela outra?” Você deve estar se perguntando agora!

Pra falar a verdade, acho que até já dei a resposta! Basicamente, na Rakuten, eu estava na minha zona de conforto. Estava me sentindo estagnado. O brilho nos olhos fora substituído pela opacidade da burocracia.

Por ser uma empresa tão grande, a evolução na carreira estava sendo muito lenta, os desafios reais muito pequenos e por fim, claro, o reconhecimento financeiro não estava adequado.

Mudar os ares me trouxe mais motivação, mais desafios e mais aprendizado. A empresa é menor, o produto é revolucionário e a minha opinião e resultado fazem toda a diferença, para o bom e para o ruim. Tenho que fazer o meu melhor e ter certeza de que sempre estou melhorando as minhas capacidades.

Tudo isso, me faz sempre ir em frente, buscar melhores condições pra minha vida e pra minha família. 🙂 

Você trocaria?

Um dia depois do Natal no Japão.

O dia que segue o Natal no Japão é um tanto quanto estranho. 

Todos sabemos que o Natal não tem grande significado para a maioria dos japoneses e, embora nos últimos anos tenha-se visto um aumento nos ornamentos natalinos pelas cidades, especialmente em grandes shoppings, por aqui a data não é nada mais que um “segundo dia dos namorados” (pelas palavras de um japonês). 

Com a absoluta maioria da população sendo de orientação religiosa xintoísta e budista, o Natal é apenas mais uma data comercial, emprestado do ocidente, onde troca-se presentes e compartilha-se os famosos “bolos de natal”.

Mesmo depois de 5 anos morando no arquipélago, é um pouco confuso ver que já no dia 26 de dezembro não se tem qualquer sinal das árvores de Natal e enfeites que até o dia anterior enchiam de pompa e iluminavam certas partes da cidade!

Que linhas malucas essas, nas plataformas de trens do Japão!

Já faz um tempo que não escrevo, não é? Pois é, eu também já estava com saudades. 🙂


Você sabe pra que servem essas linhas no chão das plataformas de trem, no Japão?

Nada complicado, na verdade. Elas servem pra organizar as filas de quem pegará o trem da vez ou o próximo, e às vezes, vemos um terceiro grupo de filas, dependendo do tamanho da estação, que é para o trem depois do próximo! 😀

Toda a vez que um trem chega, as pessoas que estão na fila entram e as pessoas da fila ao lado se movem lateralmente para as posições equivalentes na fila da vez, e uma nova fila começa a se formar na que ficou vazia.

O mais engraçado e interessante, é que este processo é intuitivo e natural. 

Embora esteja escrito no chão, não há funcionários da estação orientando pra você ficar nessa ou naquela fila … 

Simplesmente as pessoas chegam, se aglomeram em uma das filas e quando chega a hora, se movem para a fila do lado, mantendo-se exatamente na mesma posição da fila anterior.

Gostou? Já viu? Deixa seu comentário, compartilha. 😉

Um abraço e até a próxima.